🏭 150 Milhões para Reindustrialização em Regiões Afetadas por Tempestades

Candidaturas abertas até 31 março para empresas em concelhos declarados em calamidade ou contingência

Contexto

O Banco Português de Fomento e a Estrutura de Missão Recuperar Portugal lançaram o 6º aviso do IFIC — Linha Reindustrializar (Aviso n.º 06/C05-i14.01/2026), com uma dotação de 150 milhões de euros destinada a apoiar empresas afetadas pelas recentes tempestades, inundações e cheias que atingiram Portugal.

No seguimento das declarações de situação de calamidade e de contingência causadas pela Tempestade Kristin e outros fenómenos climáticos extremos em fevereiro de 2026, o Regulamento do sistema de incentivos do IFIC foi alterado através da Portaria nº 94-A/2026/1, de 27 de fevereiro, para incluir apoio específico a investimentos de recuperação e reforço estrutural nas regiões afetadas.

Este aviso insere-se na Componente C5 — Capitalização e Inovação Empresarial do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com financiamento não executado do PRR agora direcionado para apoio de emergência.

A quem se destina

Podem candidatar-se:

  • Sociedades comerciais (qualquer dimensão ou forma jurídica)
  • Empresários em Nome Individual (ENI)
  • Localizados em concelhos declarados em situação de calamidade ou contingência

Concelhos elegíveis (definidos nas seguintes resoluções):

  • RCM n.º 15-B/2026
  • RCM n.º 15-C/2026
  • Despacho n.º 1532-E/2026
  • Despacho n.º 1917-B/2026
  • Despacho n.º 2389-A/2026

Principais concelhos afetados incluem: Leiria, Porto de Mós, Pombal, Batalha, Alcobaça, Nazaré, Marinha Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Ansião, Alvaiázere, entre outros (consultar resoluções oficiais para lista completa).

Majoração especial: Empresas diretamente afetadas pela Tempestade Kristin beneficiam de condições majoradas.

Projetos elegíveis

São apoiados projetos de Investimento em Inovação Produtiva, podendo incluir Investigação e Desenvolvimento (I&D), orientados para o reforço estrutural das empresas:

1. Aumento da resiliência física

  • Reforço de instalações industriais e comerciais
  • Reparação e modernização de equipamentos
  • Proteção de infraestruturas contra eventos climáticos extremos
  • Sistemas de drenagem e proteção contra inundações

2. Ampliação da capacidade produtiva

  • Aquisição de novos equipamentos produtivos
  • Expansão de instalações
  • Modernização tecnológica
  • Automação e digitalização de processos

3. Diversificação da produção

  • Desenvolvimento de novos produtos ou serviços
  • Entrada em novos mercados
  • Alteração de processos produtivos
  • Investigação e Desenvolvimento aplicado

4. Proteção dos sistemas de comunicação e energia

  • Sistemas de backup energético
  • Infraestruturas de comunicação resilientes
  • Soluções de energia renovável e autonomia energética
  • Proteção de sistemas informáticos críticos

Apoio financeiro

Dimensão do investimento

  • Investimento mínimo: 100.000 euros
  • Investimento máximo: 10.000.000 euros
  • Dotação total do aviso: 150.000.000 euros

Taxa de incentivo

As taxas de incentivo variam conforme dimensão da empresa e natureza do investimento (consultar regulamento IFIC para valores específicos). Tipicamente:

  • PME: Taxas mais elevadas
  • Grandes empresas: Taxas base
  • Majorações aplicáveis para empresas mais afetadas

Forma de incentivo

  • Incentivo não reembolsável (a fundo perdido)
  • Adiantamento inicial de 30% do incentivo aprovado
  • Reembolsos intercalares conforme execução
  • Pagamento final após conclusão e verificação

Despesas elegíveis

Investimento Produtivo:

  • Máquinas e equipamentos novos
  • Equipamentos informáticos e software
  • Construção ou remodelação de edifícios (máximo 30% do investimento produtivo)
  • Instalação e montagem de equipamentos
  • Custos de ligação às redes

Investigação e Desenvolvimento:

  • Despesas com pessoal afeto a I&D
  • Equipamentos e materiais para I&D
  • Serviços de consultoria em I&D
  • Despesas gerais diretamente relacionadas com projeto I&D

IMPORTANTE: Todas as despesas devem respeitar as regras do RGIC (Regime Geral dos Incentivos à Contratação) e do regulamento IFIC.

Prazos críticos

  • Abertura candidaturas: 2 março 2026
  • Encerramento candidaturas: 31 março 2026, 17h59
  • Início investimento: Até 31 julho 2026
  • Conclusão investimento: Conforme aprovação (tipicamente 18-24 meses)

Documentação obrigatória

Para candidatura, as empresas devem apresentar:

  • Formulário de candidatura preenchido
  • Declaração de danos emitida por:
    • Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), OU
    • Câmara Municipal, OU
    • Seguradora, OU
    • Avaliação bancária

⚠️ ALERTA: Segundo a NERLEI, a obtenção desta declaração com valorização de danos tem-se revelado difícil. A associação empresarial defende que deveria ser aceite autodeclaração, como noutras linhas do BPF.

  • Memória descritiva do projeto
  • Calendário de realização física e financeira
  • Demonstração de viabilidade económico-financeira
  • Demonstração de cumprimento do princípio DNSH (Do No Significant Harm)

Apoio à candidatura

NERLEI – Formulário de Pré-Avaliação Gratuito

A NERLEI CCI disponibiliza formulário de pré-avaliação gratuito para empresas associadas da região de Leiria interessadas em candidatar-se. Este serviço permite:

  • Avaliação preliminar da elegibilidade
  • Identificação de documentação necessária
  • Orientação sobre enquadramento do projeto
  • Apoio técnico especializado

Contacto NERLEI: Email: comunicacao@nerlei.pt
Website: www.nerlei.pt

Outras associações empresariais regionais

Empresas de outras regiões devem contactar as suas associações empresariais locais para apoio técnico.

Como proceder

  1. Verificar elegibilidade — Confirmar se concelho está em situação de calamidade/contingência
  2. Obter declaração de danos — Contactar CCDR, Câmara, seguradora ou banco
  3. Preparar projeto — Definir investimentos, orçamentos e cronograma
  4. Contactar apoio técnico — NERLEI ou outra associação empresarial
  5. Submeter candidatura — Até 31 março, 17h59
  6. Aguardar decisão — Análise pela Estrutura de Missão Recuperar Portugal

Submissão online: Portal Recuperar Portugal ou plataforma BPF (consultar documentação oficial)

Contactos para esclarecimentos:

Contexto e desafios

A Tempestade Kristin, que atingiu Portugal em fevereiro de 2026, causou danos significativos em dezenas de concelhos, especialmente na região Centro. Empresas de Leiria, Porto de Mós, Pombal e outros concelhos reportaram destruição de coberturas, equipamentos, stocks e infraestruturas.

Testemunhos empresariais: Segundo Sónia Calado, administradora do Grupo DRT (moldes de injeção de plásticos), “passado mais de um mês sobre a tempestade Kristin, apesar das moratórias já aprovadas, os apoios diretos à reconstrução ainda não chegaram ao terreno.” A empresária viu a cobertura e uma parede metálica da sua fábrica de Leiria destruídas pelos ventos.

Críticas ao processo:

  • A exigência de declaração de danos valorizada tem-se revelado difícil de obter
  • CCDR e Câmaras não estão a emitir declarações com valorização
  • Seguradoras e bancos demoram semanas/meses
  • NERLEI defende aceitação de autodeclaração, como noutras linhas

Dificuldades adicionais: As empresas mais afetadas enfrentam um dilema: precisam de apoio urgente para reconstruir, mas os processos burocráticos são morosos. A NERLEI e outras associações empresariais estão a pressionar para simplificação dos requisitos.

Por que isto importa

Para empresas severamente afetadas pelas tempestades, este apoio pode representar a diferença entre recuperação e encerramento. Com 150 milhões de euros disponíveis e apoio até 10 milhões por projeto, o programa tem dimensão significativa.

No entanto, o prazo extremamente curto (candidaturas em março, investimento a iniciar até julho) cria pressão adicional sobre empresas já fragilizadas pela destruição causada pelos fenómenos climáticos extremos.

Recomendação urgente: Empresas elegíveis devem contactar imediatamente apoio técnico (NERLEI ou outras associações) e iniciar preparação de candidaturas, dado que restam apenas 13 dias até ao encerramento.


📎 Fontes:

  • Banco Português de Fomento
  • Estrutura de Missão Recuperar Portugal
  • IAPMEI
  • Portaria nº 94-A/2026/1, de 27 de fevereiro
  • NERLEI CCI
  • ECO Sapo (9 março 2026)
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